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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Sobre Covers&Originais: Bullet in the Blue Sky - U2 (1987) e Sepultura (2003) por Zeca Dom


Bate e assopra: o nêgo manda ripa na semana anterior e alivia - meio que alivia na verdade - nesta semana. 

A boa de hoje é um som do U2, hoje conhecida como uma megabanda de rock, uma referência aliás, no que no que se refere a este termo: U2 é A grande banda dos grandes espetáculos, megapalcos e o escambau.

                    
Óbvio, nem sempre foi assim. Como eu já tinha dito em nossa matéria sobre Pós-punk, o U2 era uma banda - promissora sem dúvida - dentro de um cenário bem específico. Tem um show deles que eu acho bastante significativo que é o Live at Red Rocks: Under Blood Red Skies de 1983, nos Estados Unidos e eles não eram tão conhecidos, e no fim do show o Bono chama a galera no grito, sem microfone pra continuarem a cantar o o refrão de 40: ‘how long, to sing this song?’ lindo. O Bono é um puta frontman Pós-Punk. ou pelo menos já foi. Não precisava de todo o aparato que o U2 tem para tocar hoje em dia...

 Em 4:29, Olha só:


A música tema desta matéria de hoje é do emblemático Joshua Tree no ano de 1987. Este álbum abre de vez o mercado americano para o grupo irlandês. Sem intenções puristas, o U2 adequa seu estilo de composição extrapolando o Pós-Punk católico de protesto e mantendo ao mesmo tempo suas características. 

Algumas composições do disco tornaram-se grandes clássicos contemporâneos, talvez graças a ousada investida posterior do grupo o filme/álbum Rattle and Hum de 1988. Onde a perfomance arrasadora do grupo, aliada a perfeita edição de imagens coloca o U2  no rol das grandes bandas de nossa época.


A composição é muito boa mesmo. Mas eu não conseguia saber exatamente por que...

Continuando, nós falamos um pouco sobre o Sepultura na semana passada, mas podemos acrescentar mais algumas coisas. Uma delas, é que o ponto alto da criatividade daquela banda em Roots (1996) tomou um baque com a saída de um  de seus dínamos, Max Cavalera ainda naquele ano.

Aqui não é uma coluna de fofocas: o motivo foram desavenças internas envolvendo a esposa do Max - ou pelo menos é o que dizem. O fato é que muitos se perguntaram o que seria do grupo brasileiro mais bem sucedido da história sem seu vocalista, que continuou seu serviço com o pesadíssimo Soufly.


Uma grande surpresa foi a escolha de Derrick Green - um grande negão, fã de Bad Brains (isto sim é curriculo!!!!!!! Ouve aí quando der: hardcore de DC com negros adoradores de Jah! Imagina!) com uma belíssima voz de metal, para substituir o Max Cavalera. Não ficou nada devendo em simpatia e atitude. Depois de alguns álbuns lançados, ainda no susto da saída de Max, o grande grupo brasileiro gravou um EP só de versões chamado Revolusongs em 2003.


O legal deste EP é que tem muitas versões não muito usuais: tipo esta aí de cima do Massive Attack e mesmo Public Enemy!
Mas a bola da vez e o clipe ficaram ao cargo de 'Bullet in a Blue Sky'. E aí o Sepultura matou a charada de por que a música ser tão boa: ela é uma música de Heavy Metal.


Tamo Junto! Té semana!!!!!!

Thesaurus: 

EP - Abreviação de Extended Play de maneira simplificada é um álbum com duração menor e de rotação maior 45 rpm. Não era muito comum no Brasil nos últimos 30 anos, mas utilizado em alguns países como forma de divulgação anterior ao álbum maior - o Long Play ou LP.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Sobre Covers&Originais: Symptom of Universe - Black Sabbath (1975) e Sepultura (1996) por Zeca Dom


Voltando à carga já metendo o pé na porta: 'Symptom of Universe' do Black Sabbath e sua versão da banda brazuca Sepultura!

Black Sabbath, é uma banda muito conhecida por fãs de Rock e, especialmente, pelos fãs de Heavy Metal. Aliás, aquele grupo da cidade inglesa de Birmigham em 1968, tido como um dos "pais" deste estilo de música pesada, juntamente com os megadinossauros do Rock, Deep Purple e Led Zeppelin. Esta versão não é hegemônica, todavia, mas isto já é um outro artigo... o fato é que para muitos conhecedores, estas bandas vão apresentar os elementos característicos do Metal Pesado.

No caso específico do Sabbath, TUDO é referência para o Heavy Metal: as guitarras distorcidas e mais graves – "pesadas" – uma linha de baixo e bateria na mesma linha e andamento lento e, claro, o Ozzy Osbourne como vocalista, ou seja, uma das personificações do rock pesado.


                                 

Depois de alguns albúns realmente clássicos – Black Sabbath, Paranoid, Masters of Reality e o Black Sabbath vol. IV – e com o baixista Geezer Butler e Ozzy tomando LSD por dois anos seguidos, todos os dias, vem ao mundo o quinto álbum Sabotage (1975) com um de seus singles, 'Symptom of Universe'. Uma das grandes características deste álbum, e notável nesta composição foi a tendência ao experimentalismo de riffs e abordagens tendendo ao Rock Progressivo – então em alta. O que não significa que o som daquele álbum fosse leve: é possível observar diversas influências nas diversas variações futuras do Rock Pesado, fosse no apelo épico de 'Supertzar', ou melódico de 'Megalomania' ou mesmo elementos viriam a compor o Thrash Metal e Blues pesado na composição 'Symptom of Universe'.

Esta composição esta mergulhada no ácido lisérgico, como o título indica... mas os elementos de Thrash Metal são uma das grandes colaborações para o futuro do metal e particularmente para o grupo de Minas mais famoso do mundo, alguns anos depois: Sepultura.

Esta bem conhecida banda brasileira, com mais de 20 milhões de discos vendidos no mundo, tem um som característico e com grandes sacadas de originalidade dentro do Heavy Metal, especialmente nas suas variações mais brutais – Thrash Metal. Alcança, em minha opinião seu grande ponto de inflexão em Roots (1996) apresentando novas possibilidades no Metal associado ao peso dos sons indígenas brasileiros. À semelhança do Sabbath em 1975, Roots é igualmente experimental, sendo sem dúvida, um dos mais ousados álbuns de Metal de seu tempo.


A sua versão de 'Symptom of Universe' apresentada na versão brasileira daquele mesmo álbum, pode parecer num primeiro momento óbvia – pois TODAS  as bandas de Metal ouvem e tocam pelo menos uma vez na vida músicas do Sabbath – mas sua abordagem é tão original quanto o Roots: mais primal, com sons, tons e vocais mais agressivos, especificamente com o uso de triggers na bateria e afinações diferenciadas nas guitarras. E por último o Blues no final abrasileirado sem o vocal do Max Cavalera. Uma beleza!

Confere aí, ó:


Thesaurus:

Heavy metal: Grande termo agregador do chamado ‘rock pesado’, que na verdade passou a conter um grande número de variantes como o speed metal, o thrash metal, o black metal e outros: todos são metal.

Trigger: Recurso digital utilizado para modular sons de baterias, modificando assim sua sonoridade original. Dá uma conferida neste vídeo:

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Thesaurus: Heavy Metal - por Zeca Dom


Heavy metal: grande termo agregador do chamado ‘rock pesado’, que na verdade passou a conter um grande número de variantes como o speed metal, o trash metal, o black metal e tantos outros: todos são metal. Alguns elementos visuais e sonoros se repetem - a temática masculinizada, couro preto, motos, temas esotéricos, guitarras distorcidas e vocais poderosos. Vejamos alguns exemplos.

Saxon:

Motley Crue:

AC/DC:

Iron Maiden:

Todos dos anos 80, com diferenças gritantes entre eles até aos ouvidos não treinados. 

Nos últimos 30 anos dezenas de estilos variados são associados ao metal: grupos como Limp Bizkt, Kyuss, Meshuggah ou Tool. Díspares até, e todos metal. Observe, a título de exemplo, este som do Limp Bizkt de seu primeiro album, Counterfeit:

 

Alguns fãs insistem que a base do Heavy metal está na tríade de bandas inglesas dos anos 60: Black Sabbath, Deep Purple e Led Zeppelin. Esta idéia não é compartilhada por autores como Ian Christie (Heavy Metal: A História Completa), ou completada pelo The Rough Guide to Heavy Metal by Essi Berelian. Estes apontam elementos do estilo no riff agressivo dos Kinks em 'You Really Got Me' (mais tarde ‘recuperada’ pelo Van Halen) e no Stepenwolf em 'Born to be Wild' (‘heavy metal thuder’!).

Existe diferença? Na dúvida ouça todos em volume 10!